Explicar e descrever: por que essa diferença importa na clínica?

08/04/2026

No dia a dia da clínica, é muito comum que pais, professores e cuidadores cheguem com relatos sobre o comportamento da criança ou do adolescente. Muitas vezes, porém, esses relatos misturam o que foi observado com interpretações sobre o que pode ter motivado a atitude. Embora isso aconteça naturalmente, fazer essa diferença entre explicar e descrever é essencial para um acompanhamento mais preciso.

Descrever significa relatar o que foi visto ou ouvido de forma objetiva, sem acrescentar julgamentos ou suposições. Já explicar envolve atribuir causas, intenções ou características ao comportamento. Por exemplo, dizer que a criança “foi teimosa” é uma explicação; dizer que “ela chorou, cruzou os braços e não aceitou guardar os brinquedos quando foi orientada” é uma descrição.

Na prática clínica, essa distinção faz muita diferença. Quanto mais clara for a descrição do comportamento, melhor conseguimos compreender o que aconteceu, em que contexto ocorreu e quais estratégias podem ser mais adequadas. Isso ajuda a construir intervenções mais efetivas e alinhadas à realidade da criança, sem depender apenas de rótulos ou impressões gerais.

No cotidiano de casa e da escola, aprender a descrever melhor também favorece a comunicação entre adultos e profissionais. Em vez de dizer apenas que a criança “é desobediente”, por exemplo, conseguimos identificar situações específicas, padrões de comportamento e possíveis necessidades por trás daquilo que está sendo observado.

Por isso, na clínica, descrever bem é um passo importante para compreender melhor, intervir com mais precisão e apoiar de forma mais efetiva o desenvolvimento da criança.

Giovanna Mayra de Oliveira

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