Quando uma criança apresenta dificuldades na aprendizagem, o mais comum é que as primeiras preocupações estejam voltadas para os conteúdos escolares. Leitura, escrita, matemática e realização das atividades costumam ser as primeiras demandas identificadas pela família e pela escola.
Mas, você sabia que antes de avançar nesses conteúdos, é importante olhar para as habilidades que a criança já desenvolveu e para aquelas que ainda precisam ser ensinadas?
A aprendizagem depende de um conjunto de habilidades que vão sendo construídas ao longo do desenvolvimento. Direcionar e manter a atenção, compreender instruções, imitar modelos, discriminar informações, seguir sequências, esperar, lidar com mudanças e permanecer em uma atividade são exemplos de repertórios que participam diretamente desse processo.
Assim, o que acontece é que uma criança pode apresentar dificuldade para realizar determinada atividade escolar não apenas pela complexidade ou dificuldade da atividade, mas também porque ainda não desenvolveu algumas habilidades necessárias para executá-la.
Por isso planejamento terapêutico é torna tão importante. É a partir da avaliação do repertório da criança que identificamos quais habilidades já estão presentes, quais precisam ser fortalecidas e quais ainda precisam ser ensinadas.
O ensino acontece de forma planejada e gradual. As atividades são organizadas considerando o nível de habilidade da criança, com objetivos específicos, estratégias de ensino e diferentes oportunidades para praticar o que está sendo aprendido.
É igualmente importante observar se a habilidade adquirida consegue ser utilizada em outros contextos. Não basta, por exemplo, que a criança consiga seguir uma instrução durante o atendimento. Precisamos favorecer que essa resposta também aconteça em casa, na escola e em outras situações do cotidiano.
O trabalho não pode se resumir à realização de atividades e cada proposta precisa ter uma finalidade dentro do desenvolvimento do repertório da criança.
Investir nas habilidades que sustentam a aprendizagem não significa vamos adiar o contato com os conteúdos escolares, mas que vamos dar prioridade a identificar o que está dificultando esse processo e trabalhar para que a criança tenha condições cada vez melhores de aprender, participar e conquistar autonomia.
O objetivo da terapia não pode ser “apenas” ensinar a criança a realizar uma atividade. Precisamos planejar para que ela desenvolva habilidades que permitam que ela aprenda, utilize o que aprendeu e consiga responder a novas situações.
Giovanna Mayra de Oliveira – Psicóloga Comportamental
Coordenadora Núcleo Passo a Passo